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sábado, 1 de março de 2014

MORGENSTERN DUAS VEZES


VICE-VERSA

 

Um coelho parou no descampado
certo de que não fora notado.

 Porém, segurando um óculos de alcance
um homem observa a cada lance

do alto de um monte atentamente
o orelhudo anão à sua frente.

Por sua vez ele é visto sobretudo
por um Deus distante, meigo e mudo.
                                   

                                                Tradução de  Montez Magno

 

VICE VERSA

 
Ein Hase sitzt auf einer Wiese,
des Glaubens, niemand sähe diese.

Doch, im Besitze eines Zeisses,
betrachet voll gehaltnen Fleisses

vom vis-à-vis gelegnen Berg
ein Mensch den kleinen Löffelzwerg.

Ihn aber blickt hinwiederum
ein Gott von fern, mild und stumm.

 




 
NO PLANETA DAS MOSCAS
 
No planeta das moscas, o homem
não se acomoda nada bem:
pois o que aqui faz às moscas
elas lhe fazem lá, também.

 
Grudar em cartões melados
uma pessoa atrás de outra
e sendo muitos condenados
a boiar em cerveja doce.

 
Só num ponto se mostram as moscas
aos homens superiores: elas não
nos assam em broas ao forno,
nem nos bebem por distração.
 
                                                Tradução de Sebastião Uchoa Leite
 
AUF DEM FIEGENPLANETEN
 
Auf dem Fliegenplaneten,
da geht es dem Menschen nicht gut:
enn was er hier der Fliege,
die Fliege dort ihm tut.
 
An Bändern voll Honing kleben
die Menschen dort allesamt,
und andre sind zum Verleben
in süssliches Bier verdammt.

 
In Einem nur scheinen die Fliegen
dem Menschen vorauszutehn:
Man bäckt uns nicht in Semmeln,
Noch trinkt man uns aus Versehn.
 
                       
            In: Christian Morgenstern.  Canções da forca. SP: Roswitha Kempf, 1983.




 

 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Christian Morgenstern

OS DOIS BURROS

Um burro macambúzio e mal com a sorte
diz, certa vez, à legítima consorte:

Eu sou tão burro e você é tão burra.
Morramos logo! – ele fala; ou zurra.

Mas, como sói acontecer frequente,
Vivos ficaram, zurrando alegremente.

                                       Tradução de Sebastião Uchoa Leite



In: Canções da forca. Roswitha Kempf Editores, 1983.




terça-feira, 28 de dezembro de 2010

DOIS POEMAS DE MORGENSTERN

AS PLACAS

Não se deve zombar das placas que trazem
uma mão mostrando o que ali fazem;

o nome de um bar que atrai o freguês,
os regulamentos que a polícia fez.

Elas são, se nada mais fala neste vasto mundo,
um maravilhoso exemplo, justo e profundo:

sua modesta presença é uma lição de cultura:
aqui reina o homem, não mais o urso e o miura.


NASCIMENTO DA FILOSOFIA

Espantada, a ovelha me olha enquanto come,
como se vira em mim o primeiro homem.
Seu olhar contagia; pasmamos; está parecendo
que pela primeira vez uma ovelha estou vendo.


                               Christian Morgenstern (1871-1914)
                               Tradução de Montez Magno