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domingo, 18 de maio de 2014

SÓROR VIOLANTE DO CÉU


MADRIGAL

 

Em fim fenece o dia,
Em fim chega da noite o triste espanto,
E naõ  chega desta alma o doce encanto:
Em fim fica triunfante a tyrannia,
Vencido o sofrimento,
Sem alívio meu mal, eu sem alento,
A sorte sem piedade,
Alegre a emulação, triste a vontade,
O gosto fenecido,
Eu infelice em mim, Lauro esquecido.
Quem vio mais dura sorte?
Tantos males, amor, para huma morte?
Naõ basta contra a vida
Esta ausência cruel, esta partida?
Naõ basta tanta dor, tanto receyo?
Tanto cuidado, ay triste, e tanto enleyo?
Naõ basta estar ausente,
Para perder a vida infelizmente,
Senaõ também neste cruel confltio
Me negas o socorro de hum escrito?
Porque esta dor, que a alma me penetra,
Naõ ache o mayor bem na menor letra?
Ay, bem fazes, amor, tirame tudo,
Naõ haja alivio naõ, naõ haja escudo,
Que a vida me defenda
Tudo me falte em fim, tudo me offenda,
Tudo me tire a vida,
Pois eu naõ a perdi na despedida.


Nadiá Paula Ferreira  (org.). Cancioneiro da poesia barroca em língua portuguesa.  EdUERJ, 2006.

           
     Esta antologia da poesia seiscentista traz em seu Prefácio a seguinte obsevação da organizadora: “(...) optamos pela reprodução da versão estrita desses impressos, não fazendo qualquer tipo de correção na pontuação e na ortografia.”