sexta-feira, 7 de setembro de 2012

ROGÉRIO DUARTE


Mexendo aqui naqueles papéis, como diria Zuca Sardan, topei com meu exemplar, todo desfolhado, do único número que saiu da revista POLEM, publicação underground da década de 70 editada no Rio de Janeiro.  Consegui localizar as indicações "Ano 1"  e "setembro/outubro", mas não o ano - possivelmente estará em alguma das folhas despencadas.  Eu quase apostaria que o ano de edição é 1975 ou 76.  Será que alguém localiza a informação correta?
Adoro o texto de Rogério Duarte postado acima. 

(Adendo à postagem: a revista é de 1974, conforme informação segura da querida amiga Verônica Couto - vejam a referência completa nos comentários)

sábado, 1 de setembro de 2012

AH, UM SONETO... DE CHICO BUARQUE, COM NARA LEÃO NO FAROL DE FARO





Por que me descobriste no abandono?
Com que tortura me arrancaste um beijo?
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono?

Com que mentira abriste meu segredo?
De que romance antigo me roubaste?
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo?

Por que não me deixaste adormecida?
E me indicaste o mar com que navio?
E me deixaste só, com que saída?

Por que desceste ao meu porão sombrio?
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio?

O soneto acima integra a trilha sonora do musical Quando o carnaval chegar, dirigido por Cacá Diegues  em 1972, e estrelado por Nara Leão (casada com Cacá à época), Chico Buarque e Maria Bethânia.  O vídeo é do programa MPBEspecial dirigido por Fernando Faro para a Fundação Padre Anchieta/TV Cultura em 1973.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

E caiu a chuva de sangue nos fundos do botequim


E caiu a chuva de sangue nos fundos do botequim
os olhos se injetaram,  e o som e a imagem
totalitárias da imensa TV
       como era de se esperar
           estenderam-se pela parede, adentraram sob a porta o banheiro
       seguiram-me até o carro
determinaram-me o rumo, desviaram-me, expulsaram-me para dentro da noite
que me expeliu finalmente pela manhã
e nem outro dia,
quero dizer
mais – ou menos – do que outro dia já era
como outro eu mesmo  já era, como o gosto
que pareceria brotar virou travo amargo,  e a boca
entre desejo e alho expelia um doce olor de sangue
que a tudo acabou por se sobrepor
ausente
faltante
aroma de rubro incenso candeia da solidão – noite.


sábado, 25 de agosto de 2012

Um que já tem tempo


RELATO

A despudorada, a viajada
mulher belíssima
relaxa-se
lânguida
dividindo o convés
em céu/mar
e sua presença.

As atenções se desviam
conflitantes
a tripulação morre de desejo
de invadir seu camarote.

Eu permaneço em terra
a ver mais que navios.

Espero que aproveitem a viagem.


In JOSÉ, n. 9.  Dezembro 1977


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

ANTONIO CÍCERO


BLACKOUT

Passo a noite a escrever.
Do lado de lá da rua
poderia alguém me ver,
daquele prédio às escuras,
em frente ao meu,e mais alto.
Que voyeur me espiaria?
De interessante, só faço
escrever. Ele veria
decerto a parte traseira
do computador: talvez,
daquela outra janela,
avistasse, de viés,
o lado esquerdo da minha
face de perfil: jamais
entretanto enxergaria
certos versos de cristal
líquido, que mal secreto
com o sal do meu suor,
já anunciam segredos
só meus e de algum leitor
que partilhará comigo
o paraíso e o desterro,
o pranto que vem do riso,
o acerto que vem do erro.
Disso tudo, meu vizinho
nem de longe desconfia.
Mas e se ele, tendo lido
meus lábios, que pronunciam
o que na tela está escrito,
perceber-se desterrado
não só do meu paraíso:
do meu desterro, coitado?
E se ele a tudo atentar
e por inveja e recalque
me der um tiro de lá?
Melhor fechar o blackout.

Antonio Cícero. Porventura.  Record, 2012.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

WALY SALOMÃO


COBRA CORAL


Para de ondular, agora, cobra coral:
a fim de que eu copie as cores com que te adornas,
a fim de que eu faça um colar para dar à minha amada,
a fim de que tua beleza
                     teu langor
                     tua elegância
                                   reinem sobre as cobras não corais.

Waly Salomão. Tarifa de embarque.  RJ: Rocco, 2000.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

RBEC n. 2 - Revista Brasileira de Estudos da Canção

     Clube da Esquina, Gilberto Gil, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, o rock brasileiro dos anos 70, a música cabo-verdiana e sua relação com a música brasileira são alguns dos assuntos dos dezenove artigos que integram o n. 2 da RBEC - Revista Brasileira de Estudos da Canção, publicação semestral online dirigida pelo pofessor Lauro Meller da UFRN e de cujo corpo editorial participo.  Além dos citados, há ainda artigos de Solange Ribeiro de Oliveira (UFMG)   e de Mike Brocken (Universidade de Liverpool).  Há ainda um artigo de minha autoria onde analiso as duas canções compostas por Fred Martins e Vitor Ramil para um mesmo poema de Alberto Caeiro, "Noite de São João".
     Já estão sendo recebidos artigos para o número 3, a sair em janeiro de 2013.  Os textos devem ser enviados até 30 de setembro.  
      No site estão todas as informações e os números da RBEC. http://rbec.ect.ufrn.br/index.php/Edição_atual