O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro concedeu uma extensa e, no meu entender, muito lúcida entrevista ao site "Outras palavras - Comunicação compartilhada e pós-capitalismo - EM MUDANÇAS!"
Tomei conhecimento da entrevista no Facebook e, pela relevância do que ali é dito, posto-a aqui para os leitores.
Hoje é domingo, dia bom para atravessar esta teia de argumentos e dados levantados pela brilhante exposição do pensamento do entrevistado. Boa leitura!
Outros valores, além do frenesi de consumo
poesia, literatura, música, futebol, comes e bebes, humor, bom humor, mau humor...
domingo, 23 de setembro de 2012
Outros valores, além do frenesi de consumo - entrevista de Eduardo Viveiros de Castro
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Mais um de A TAL CHAMA O TAL FOGO
VÉSPERA
e como eu lambesse a cria
a cada passo do caminho
parece que das coisas ficava
cada vez menos vestígio
a sombra de morto desejo
em parede repentina
tornada risco futuro
e logo rasurada a frio
o olho que, percebi, foi indo
a cada passo sozinho
distante do corpo resto
que a distância parecia
fazer menção de segui-lo.
e nada. muito tropeço
por vir, muito novelo, muito
amargo qui nem jiló
a cada passo do caminho.
parece que é fictício esse
jeito de ir tocando, parece
que alguma porta, de cara
para a aurora me espera.
parece. de mim para mim
pergunto, entre penugem de coxas,
vencido o atrito do brim
na pele da boa amiga.
que desafio o tédio
no seu silêncio espreita?
como prosseguir, invento
a pergunta em bom cinismo
que é só um modo de fala
(as pessoas, duas a duas,
não fazem mais do que sala
não querem mais nada a não
ser que a luz se apague
e se resfoleguem nuas
saudosas de habitarem
ilhas que durem apenas
a firme poesia da carne).
por que resisti à sedução
e fiquei por aqui? lambendo
palavras que nem escrevi.
nem chega a suicídio
nem cheira à combustão
do que neguei à escrita
e não queima, como queima
esta casa, sim, esta cara
a dispersão da vida
água de espanto feita
queimada de matéria fruto
não-palpável de pouca
crença. creio que é queimar
o mudomonstrengo que pesa
e em sua queda me cria
cria de no entanto nada.
A tal chama o tal
fogo, meu primeiro livro, saiu em 2008, mas reunia poemas escritos em sua
maioria na década de 1980. Os mais novos
eram textos escritos em 1989, como este postado acima. Para sua publicação em livro eu fiz algumas
alterações de acabamento em relação ao texto de praticamente vinte anos antes.
Roberto Bozzetti. A tal chama o tal fogo. Oficina Raquel, 2008.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
EPITÁFIO: COMO SE PENSA
Tudo o que
ouviu e não precisava.
Tudo que
falou e teria sido mais inteligente que
não.
Todos os vexames
que poderia não ter dado.
Tudo. Quer dizer, nada.
In: Roberto Bozzetti. Firma irreconhecível. Oficina Raquel, 2009.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
TRÊS POEMAS DE OSWALDO MARTINS
pedagogia
dos imbecis
as crianças brincam
de teatrinho
encenam para as mamães
que aplaudem
futuras
donas de casa
de “Cartolografia”
um chaplin descalço
passa ao largo
de mangueira
a vagabunda cartola
canta feridas
na ribalta
de “Antimetafísica das apreciações”
quando quadros e livros
bucetas são
não são bucetas que se levam
aos livros e quadros
senão que quadros e livros
buscam
o que de buceta
são
Oswaldo Martins. Cosmologia
do impreciso. 7Letras, 2008.
A poesia de Oswaldo Martins está também em seu blog: http://osmarti.blogspot.com.br/
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
ROGÉRIO DUARTE
Mexendo aqui naqueles papéis, como diria Zuca Sardan, topei com meu exemplar, todo desfolhado, do único número que saiu da revista POLEM, publicação underground da década de 70 editada no Rio de Janeiro. Consegui localizar as indicações "Ano 1" e "setembro/outubro", mas não o ano - possivelmente estará em alguma das folhas despencadas. Eu quase apostaria que o ano de edição é 1975 ou 76. Será que alguém localiza a informação correta?
Adoro o texto de Rogério Duarte postado acima.
(Adendo à postagem: a revista é de 1974, conforme informação segura da querida amiga Verônica Couto - vejam a referência completa nos comentários)
sábado, 1 de setembro de 2012
AH, UM SONETO... DE CHICO BUARQUE, COM NARA LEÃO NO FAROL DE FARO
Por que me descobriste no abandono?
Com que tortura me arrancaste um
beijo?
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono?
Com que mentira abriste meu segredo?
De que romance antigo me roubaste?
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo?
Por que não me deixaste adormecida?
E me indicaste o mar com que navio?
E me deixaste só, com que saída?
Por que desceste ao meu porão sombrio?
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio?
O soneto acima integra a trilha sonora do musical Quando o carnaval chegar, dirigido
por Cacá Diegues em 1972, e estrelado por Nara Leão (casada com Cacá à
época), Chico Buarque e Maria Bethânia. O vídeo é do programa MPBEspecial dirigido por Fernando Faro para a Fundação Padre Anchieta/TV Cultura em 1973.
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