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sábado, 8 de novembro de 2014

JANICE CAIAFA


CHEGADA DO SACI

 

Chega o guri
em plena ventania,
varrendo a cena,

vindo vindo
longe  no horizonte
abrindo caminho,

quem sabe onde está
o cachimbo do Saci
dentro do redemoinho?
 
é  procurar a centelha
brilhando na confusão,

e a carapuça vermelha?
no olho arregalado

do furacão, do tornado
vem o garoto pirado

surfando em todos os ventos.
 
Se fecha o Saci na garrafa
 
ele se safa em dois tempos.









 
Janice Caiafa.  Estúdio.  RJ: 7Letras, 2009.



 

segunda-feira, 14 de março de 2011

JANICE CAIAFA: DOIS POEMAS

ORAÇÃO DE MOÇA

            tenho um cipó no pulso esquerdo
            atado por Nossa Senhora

ai franciscano cortai-me o laço.
dai-me um raminho novo.
orai pela minha alma.

   olhai para o meu corpo agora
convosco quero viver
confesso meu langor pela vossa espádua

           
                        tão lisa, tão fina, tão sacra


                       
                        des-conta do meu rosário
                        verteu-se em suas verdadeiras          
                                   rosas

            ai desatai-me esse condão
            que a Virgem Rainha
                        compôs o meu decoro, e agora Salve.



FILTRO MÁGICO

                        ao meu pequeno puck

din-dins de pires
de leite,
confusões dos potes
            da casa –
gengibre-me o bolo
            que faço.
gnomo que guardo no leito
di-minuto gênio do quarto
            matéria e gema
                   das tigelas
jujuba mágica entre as muitas
gomas de mascá-la.
eu amo meu robin da cozinha
que me ajuda a pensar os séculos
secretamente sob a minha
            anágua.

                               In: Noite de Ela no céu. Três Corações, 1982.