domingo, 23 de dezembro de 2012

NARCISO COLONIZADO


gostaria de ser
exatamente
como sou
           
- c’est a dire: mais ou menos
hesitante obscuro mas com obsessivo fulgor
 iluminista
e alguns  poucos pendores românticos
que no entanto ao se manifestarem querem apenas arrombar
tudo destrambelhar tudo avassalar
e um tanto indolente e medianamente talentoso
cabotino* mas com vergonha de sê-lo
e também, apesar de tomado pela preguiça, amantísssimo
ou apenas
contemplativo esteta pateta patético com brios e assomos dignos
de louvor  e terríveis falhas de caráter
marido fracassado pai amoroso mas um tanto
relapso relaxado quanto ao corpo são
lúbrico hedonista permissivo libidinoso mas de baixo custo
afinal
de contas que nunca fecham.
 sedentário
mas um tanto perambulante
retirado do convívio e cada vez mais
da vida urbana ser enfim o que já acho mesmo que sou -

só que na Suíça. 

*Aqui onde está "cabotino" estava anteriormente  "pernóstico".  Conversando com minha amiga   Verônica Couto, que me disse não entender "pernóstico"  no poema, cheguei em boa hora à conclusão de que na verdade  a palavra que eu pretendia  empregar era "cabotino'" e que, por um lapso qualquer, na hora me escapou.  Fica a retificação e o agradecimento a tão preciosa - e atenta - amiga e leitora


3 comentários:

  1. Show... adorei!
    Amor que avassala é muiiito bom, deixe-se levar rsrsrsrsr

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  2. :) só rindo. gostei do poema, viu? beijo

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  3. Nivea, muito obrigado.
    Verônica, de fato: se nós não tivéssemos conversado meio aleatoriamente sobre o mundo e não tivéssemos sido levados meio ao acaso também a falar desse verso, eu não teria me tocado de que a palavra que eu queria tinha sido insidiosamente trocada por outra. Talvez a observação que eu tenha feito tenha dado a parecer que foi tudo muito direcionado, o que não é o caso. Mas, como sempre, viva o acaso! sempre vivo o acaso.,
    Beijos pra vocês do
    Bozzetti

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