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segunda-feira, 6 de maio de 2013

ORIDES FONTELA

Ilustração de Talarico



ODE

E enquanto mordemos
frutos vivos
declina a tarde.

E enquanto fixamos
claros signos
flui o silêncio.

E enquanto sofremos
a hora intensa

lentamente o tempo
perde-nos.

Orides Fontela.  Trevo (1969-1988).  Companhia das Letras, 1988.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

TRÊS POEMAS DE ORIDES FONTELA

CORUJA

Vôo onde ninguém mais – vivo em luz mínima
ouço o mínimo arfar – farejo o sangue
e capturo
a presa
em pleno escuro.



BUCÓLICA

Vaca
mansamente pesada

vaca
lacteamente morna

vaca
densamente materna

inocente grandeza: vaca

vaca no pasto (ai, vida,
simples vaca).



(sem título)
Semeio sóis
e sons
na terra viva

afundo os
pés
no chão: semeio e
passo.

Não me importa a colheita.

                        In: Trevo (1969-1988).  São Paulo: Duas Cidades, Col. Claro Enigma