quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

GIACOMO LEOPARDI


A NOITE DO DIA DE FESTA

 
Noite sem vento, doce, clara.  A lua
Flutua sobre tetos e pomares,
Serena, revelando ao longe, os montes.
As ruas e os caminhos silenciam,
Minha amada.  Pelos balcões, são raros
Os lampiões, um sono suave invade
Os aposentos, você dorme, nada
Perturba o seu repouso, muito menos
A chaga que me abriu dentro do peito!
Mas você dorme, e ao céu de aspecto ameno
– E à antiga natureza onipotente
Que me vota à aflição – dirijo os olhos.
“Para você, nem mesmo uma esperança;
Para os seus olhos, só um brilho: lágrimas”,
Ela me disse.  Mas que dia magnífico!
Dormem danças e jogos, mas, em sonho,
Talvez para você desfilem todos
De quem gostou ou aos quais agradou
(Menos eu, que nesse rol não compareço).
Mas se calculo os dias que me restam,
Vejo-me aos gritos, a rolar na terra:
Que vida horrível numa vida jovem!
Vai pela rua o canto solitário
De quem já trabalhou, passou na tasca,
E volta tarde para a casa pobre.
Vai-me apertando, amargo, o coração,
Só penso em como tudo passa e passa,
Quase sem deixar rastro.  Já se foi
O dia de festa, e agora chega o dia
Normal, onde tudo se escoa no tempo,
Todos os atos humanos. E o estrondo
Dos antigos, as vozes dos heróis
De ontem, onde estão? e o grande império,
E as armas e o fragor que faz tremer
Os caminhos da terra e do oceano?
Tudo é paz e silêncio.  O mundo
Tudo aquieta.  Já não se pensa em nada.
Quando criança, vinha a espera ansiosa
Do dia de festa, que findava logo.
Sofrendo, comprimia o travesseiro,
Ao ouvir pela noite aquele canto
Que ia morrendo, aos poucos, lentamente,
Morrendo e me apertando o coração.

                                  Tradução de Décio Pignatari

 

In: Décio Pignatari. 31 poetas 214 poemas: Do Rigveda e Safo a Apollinaire.  2 ed. Unicamp, 2007.

 
 

LA SERA DEL DÌ DI FESTA 

 Dolce e chiara è la notte e senza vento,
 E queta sovra i tetti e in mezzo agli orti
 Posa la luna, e di lontan rivela
 Serena ogni montagna. O donna mia,
 Già tace ogni sentiero, e pei balconi
 Rara traluce la notturna lampa:
 Tu dormi, che t'accolse agevol sonno
 Nelle tue chete stanze; e non ti morde
 Cura nessuna; e già non sai nè pensi
 Quanta piaga m'apristi in mezzo al petto.
 Tu dormi: io questo ciel, che sì benigno
 Appare in vista, a salutar m'affaccio,
 E l'antica natura onnipossente,
 Che mi fece all'affanno. A te la speme
 Nego, mi disse, anche la speme; e d'altro
 Non brillin gli occhi tuoi se non di pianto.
 Questo dì fu solenne: or da' trastulli
 Prendi riposo; e forse ti rimembra
 In sogno a quanti oggi piacesti, e quanti
 Piacquero a te: non io, non già, ch'io speri,
 Al pensier ti ricorro. Intanto io chieggo
 Quanto a viver mi resti, e qui per terra
 Mi getto, e grido, e fremo. Oh giorni orrendi
 In così verde etate! Ahi, per la via
 Odo non lunge il solitario canto
 Dell'artigian, che riede a tarda notte,
 Dopo i sollazzi, al suo povero ostello;
 E fieramente mi si stringe il core,
 A pensar come tutto al mondo passa,
 E quasi orma non lascia. Ecco è fuggito
 Il dì festivo, ed al festivo il giorno
 Volgar succede, e se ne porta il tempo
 Ogni umano accidente. Or dov'è il suono
 Di que' popoli antichi? or dov'è il grido
 De' nostri avi famosi, e il grande impero
 Di quella Roma, e l'armi, e il fragorio
 Che n'andò per la terra e l'oceano?
 Tutto è pace e silenzio, e tutto posa
 Il mondo, e più di lor non si ragiona.
 Nella mia prima età, quando s'aspetta
 Bramosamente il dì festivo, or poscia
 Ch'egli era spento, io doloroso, in veglia,
 Premea le piume; ed alla tarda notte
 Un canto che s'udia per li sentieri
 Lontanando morire a poco a poco,
 Già similmente mi stringeva il core.

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